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Infraestrutura e o planejamento estratégico

O planejamento estratégico de um hospital exige que seus dirigentes façam uma verdadeira terapia na instituição, ou seja, coloque a mesma no divã e faça uma análise externa de todas as variáveis que o hospital está envolvido como as ameaças potenciais e as oportunidades que, muitas vezes, se escondem atrás de cenários aparentemente ruins. 

Igualmente, exige um olhar interno, para ver todos os pontos fortes e fracos relacionados a áreas físicas, cultura, pessoas, estruturas, recursos financeiros e outros. 

Desta análise, nasce o comprometimento com uma missão, visão, valores, os objetivos e iniciativas estratégicas ficam claros e, assim, surgem os planos de ação com desdobramentos táticos e operacionais. Bem, não é tão simples assim, mas a metodologia passa por estes itens na busca de rumos certos. Normalmente, seguindo a cartilha de Kaplan, há uma busca de equilíbrio entre as dimensões financeira, mercadológica, de processos internos e de aprendizado e crescimento. 

A engenharia e a arquitetura hospitalar, nesta parada para reflexão, não podem ficar de fora do divã, uma vez que prédios - e os equipamentos que eles abrigam - são gulosos consumidores de investimentos. As variáveis do meio ambiente, como a epidemiologia local, o envelhecimento da população, as exigências legais e sociais (como é o caso da Acreditação, que já passou de uma exigência interna para uma solicitação do cliente), o desenvolvimento da medicina e outros elementos, fazem com que o planejador se depare com uma série de decisões que o levem a caminhar do ponto A para o ponto B, ou seja, a equacionar a clássica questão de onde estou e para onde e, como vou. 

Assim, a edificação hospitalar precisa dar respostas cada vez mais rápidas para inúmeros itens, como conforto, segurança, modernidade e viabilidades técnicas, humanas, sociais, ambientais e econômicas, visando se manter atualizada e sustentável. 

Desta forma, os serviços hospitalares no planejamento estratégico caminham de algumas atividades operacionais complexas, onde é importante executar bons centros cirúrgicos, unidades de internação, leitos, serviços diagnósticos, tecnologias de ponta e serviços de emergência, e vão ao encontro de serviços mais conceituais e simples, como centros médicos, serviços de terapia ambulatorial como fisioterapia, centros de prevenção de diabetes, câncer, AVC, reabilitação, etc. Tudo integrado, visando à perfeita sinergia entre pacientes, instituição, médicos, funcionários, prestadores de serviços, governo e mercado de saúde. 

Estes novos eixos dos serviços hospitalares ainda estão em fase de adaptação na maioria dos hospitais, que ao longo da história se acomodaram simplesmente com as atividades de recuperação da saúde e, agora, encontram demandas crescentes de prevenção da doença e promoção da saúde. Até espaços mais sofisticados, como academias, shoppings, restaurantes e demais conveniências passam a ser incorporadas cada vez mais no planejamento dos hospitais. 

Assim, serviços compartilhados como as áreas administrativas, áreas de logísticas, recepções, higienização, confortos médicos e de funcionárias, esperas de pacientes, familiares, visitantes e acompanhantes, centrais de serviços (laudos, farmácia, macas, etc.), se tornaram uma nova realidade a ser trabalhada pelos pensadores de hospitais. A equipe 
multiprofissional e interdisciplinar também cresceu, na mesma proporção das novas demandas, serviços, processos e técnicas administrativas, assistenciais e de engenharia e arquitetura. 

Num mundo onde a concorrência nunca dorme e a ciência e a população não param de crescer, a definição do “Market Share” do hospital, sua fatia de mercado, e dos seus “trade-offs”, áreas onde por algum motivo ele não deve atuar, passam a ser prioridades máximas para a adequação do seu foco, ou seja, da sua vocação principal e das suas vocações secundárias. 

São estas definições que nascem no planejamento estratégico e devem engrossar a pauta dos chamados “Planos Diretores de Áreas Físicas”, que não podem estar apartados dos planos diretores de investimentos, de operações, de tecnologia da informação, assistencial, etc. 
Alta complexidade já virou lugar comum aos grandes hospitais, mas ninguém pode pensar, por exemplo, em adquirir um acelerador de prótons, se o mercado brasileiro ainda não incorporou esta tecnologia; muitas vezes é mais barato fazer este tratamento fora dos País do que se manter um serviço desta envergadura, que não encontrará mercado junto às operadoras de saúde ou ao governo, não fará eco junto aos médicos que indicam tratamentos e, muito 
menos, não será entendido pela população leiga em geral, que nem imagina do que se trata. O mesmo se aplica á robótica, a implantação de chips cerebrais e a outras tecnologias. 
Especialidades não tão sofisticadas, mas igualmente complexas, como trauma-ortopedia, oncologia, neurocirurgia, plástica, cirurgias não invasivas, podem fazer parte do plano diretor do hospital, mas há de se ter consciência das infraestruturas necessárias para se manter tais serviços, como suporte ambulatorial, serviços diagnósticos completos, leitos de terapia intensiva, nutrição a altura entre outros. 

Vocação principal e focos secundários precisam ter um alinhamento lógico. 
Igualmente, as áreas administrativas, como a comercial, a de TI, a de recursos humanos, a financeira e outras não podem estar fora do contexto para prover serviços simples ou complexos, preventivos de doença ou promocionais de saúde e qualidade de vida, de internação ou ambulatoriais, de medicina primária ou terciária, para jovens ou para 
idosos. 

Concluindo, o planejamento estratégico, aliado ao plano diretor de áreas físicas, se torna ferramenta de grande importância a todos que labutam no edifício de saúde, permitindo que a missão seja executada e a visão realizada, tudo dentro dos valores da instituição. 
 
José Cléber do Nascimento Costa é Administrador Hospitalar, mestre e MBA. É Diretor Geral do INDSH – Instituto Nacional de Desenvolvimento Social e Humano e Vice Presidente de Gestão Administrativa e Financeira da ABDEH – Associação Brasileira de Desenvolvimento do Edifício Hospitalar. 
josecleber@indsh.org.br 
www.indsh.org.br

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