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Fôlego para se recuperar

Diante de um cenário de deficiências na saúde pública do país, o setor privado tem se mobilizado para investir e fazer expansões. Mesmo assim, esta conta não fecha. Um importante déficit é o de leitos hospitalares.

 

A demanda de pacientes é crescente e a oferta não tem sido suficiente para atender a população e nem a taxa de 3 a 5 leitos por mil habitantes, recomendada pela OMS – Organização Mundial de Saúde. No Brasil chegamos a apenas 2,3 leitos para cada mil habitantes.

 

Outro fator preocupante: envelhecimento populacional. As pessoas estão envelhecendo mais e, portanto, necessitarão dos serviços médicos por mais tempo. Este contexto está ainda mais próximo da realidade do IGESP, pois nosso público, em grande parte, é formado por idosos, que exigem um atendimento com cuidados diferenciados, mais complexos, multidisciplinares, e claro, mais leitos. No entanto, esta realidade tem impacto não apenas para nós, mas também para o sistema público de saúde.

 

Numa análise mais detalhada do início da nossa conversa, as projeções não são nada otimistas. A falta de leitos tende a se agravar nos próximos anos. Dados de um levantamento da Associação Nacional de Hospitais Privados (ANAHP) nos levam a crer que, na melhor hipótese, se o número de clientes dos planos de saúde crescer 2,1% ao ano, serão necessários 13,7 mil novos leitos até 2016, o que representaria investimentos na casa de R$ 4,3 bilhões.

 

É uma projeção conservadora, que considera o desempenho do setor no ano passado, que registrou 2,1%, a menor taxa de crescimento dos últimos sete anos. Mas se for avaliada a média de crescimento dos últimos cinco anos, 4,1%, a demanda seria de 23,2 mil leitos e o investimento necessário de R$ 7,3 bilhões. Em contrapartida, uma consulta junto a 20 grupos hospitalares revelou que eles planejam abrir apenas 4,3 mil leitos até 2016, isto é, pouco menos de um terço do necessário na melhor perspectiva.

 

Diante destes números, vale um olhar mais atento ao setor de saúde como um todo. A falta de recursos financeiros, o fechamento de hospitais particulares pequenos, que tinham o SUS como complemento de receita, as fusões de planos de saúde, medicina diagnóstica e fornecedores de materiais e medicamentos, a falta de financiamentos para a construção de novos hospitais e até a má gestão são demarcadores que delineiam um setor que precisa de fôlego financeiro, estrutural e humano e não apenas de mais leitos.

 

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