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Inovavação e competitividade na área da saúde

Falar de Acreditação, Governança, Sustentabilidade e outras atualidades na nossa área chega quase a ser lugar comum, diferentemente de inovação e competitividade que são tabus na saúde. Inovação significa uma organização de saúde fazer algo diferente das demais, porém no nosso meio há quase um entendimento que hospitais, UPAs, OSSs, operadoras, secretarias de saúde, programas de prevenção e outras iniciativas no nosso setor são tão parecidas que há pouco a inovar ou mesmo a renovar. Falar em competividade então parece ser uma agressão, já que somos nobres servidores da vida humana, o que é verdade, mas não exclui estar em sintonia com um mundo em permanente transformação.

 Até aceitamos bem novos produtos e tecnologias, mas inovação em gestão para melhor competir parece mesmo ser um paradigma. Afinal, instituições de saúde competem mesmo entre si ? O setor público compete com o setor privado pelo mesmo profissional, mercado ou cliente ? Os fornecedores competem entre si para captar mercados e clientes ?  As pessoas da saúde competem por cargos e poder ? Sim, esta é a resposta para todas estas perguntas.

Inovar é diferente de se modernizar, o que grande parte dos hospitais já fazem com bastante frequência. Imprimir uma marca forte de um estabelecimento de saúde, de uma secretaria estadual ou municipal, de um programa sério, exige muito mais do que simples atualizações ou pequenas mudanças cosméticas nas nossas organizações.

A área de saúde pode incrementar uma cultura que permita incentivar e premiar seus funcionários mais criativos., oferecendo um ambiente de experimentação, criatividade e que seja tolerante aos erros. Para correr riscos, o gestor de saúde deve ter qualificação adequada, liberdade para admitir e demitir pessoas sob a sua responsabilidade e receber um voto de confiança dos seus superiores, para entregar para a empresa e sociedade o seu potencial máximo.

A pressão por resultados de curto prazo, o apego a detalhes desnecessários e a pressão psicológica de superiores incautos, em nada ajudam as organizações e os profissionais de saúde a se desenvolverem de forma criativa; ao contrário, atrapalha a perpetuação da organização e a retenção de talentos. De acordo com estudo recente da PwC (Valor Econômico de 08/01/2014), o que mais impede a inovação, respondendo por 71%,  é a cultura organizacional e a escassez de talentos. Anna Maria Guimarães, diretora da B.I. Internacional, escola de educação executiva voltada para a inovação, afirma que as organizações que desejam mudar precisam começar justamente pela alta administração.

Respirar inovação na área de saúde é quase uma necessidade, para que não cometamos erros do passado. Precisamos fermentar gestores profissionais no nosso país, colocando administradores nas partes mais longínquas deste país-continente. O programa do Ministério da Saúde denominado MAIS MÉDICOS, poderia ter sua versão MAIS ADMINISTRADORES, sem a necessidade de importar este profissional de país algum, apenas facilitando a sua formação, a sua remuneração e a sua autonomia de criação, para que ele se sinta motivado a se instalar em qualquer parte do nosso território. Assim, os gestores estarão mais motivados, reconhecidos e comprometidos.

Parcerias com governos, fornecedores, escolas e sociedade em geral farão com que as instituições de saúde alcancem seus objetivos, com maior atendimento, menor custo e qualidade superior, a partir de uma equipe que se sente inquieta e busca sempre o novo.

O combustível da inovação é a capacidade humana e a boa notícia é que todos somos inovadores, cada um ao seu estilo, desde que nos deixem trabalhar. Assim, poderemos ser visionários, modificadores de realidades, , exploradores de oportunidades e experimentadores de novos modelos, surpreendendo os mais céticos.

A responsabilidade última da criação é da liderança, que deve ser fonte de inspiração e ter capacidade de motivar suas equipes a gerar novas ideias. Na indústria, a liderança já provou onde pode chegar, na prestação de serviços ainda temos uma longa jornada. Como exemplo da indústria na nossa área de saúde, temos a 3M, que tem a inovação como um modelo de negócio e em torno de 55 mil itens comercializados mundialmente.

Estar em sintonia com o que o mercado quer, leia-se pacientes, médicos, funcionários, governos e demais stakeholders da saúde, é entregar serviços médico-hospitalares de acordo com as necessidades dos públicos alvos em que atuamos. Nossa sociedade precisa de mais gestão criativa em saúde, para que receba os resultados que necessita.

A grande maioria dos nossos profissionais que atuam em administração precisam de inovação, renovação, analisando o mercado onde está inserido e como é a atuação da concorrência. A grande maioria precisa se reorganizar e mudar a estratégia. Antes, porém, temos que começar admitindo que nosso segmento precisa mesmo desta inovação e que atua de verdade em um mundo competitivo, sem esta premissa tenderemos a estagnação, o que com certeza  ninguém deseja.

José Cléber do Nascimento Costa é Administrador Hospitalar, mestre e MBA. É Diretor Geral do INDSH – Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Social e Humano e Vice-Presidente de Gestão Administrativa e Financeira da ABDEH – Associação Brasileira de Desenvolvimento do Edifício Hospitalar. Que estes dois conceitos sejam muito bem vindos na nossa área!!

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