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Frágil ou Antifrágil?

12/11/2014

Muitas pessoas sofrem com a adversidade. Chegam a chorar quando algo não dá certo, quando o que planejou aconteceu de forma diferente. Na verdade, não aceitam e não entendem que nosso mundo é composto por inúmeros fenômenos aleatórios, que fogem do nosso controle. É a tal da incerteza, do futuro não previsível, dos fatos surpreendentes para o bem e para o mal, do mistério da vida que ocorre todos os dias. Estes indivíduos ficam frustrados, deprimidos, se isolam, desistem da luta e passam a ver o mundo com pessimismo.


Bem, mas existem pessoas diferentes. Existem pessoas resilientes, que envergam mas não quebram; que sobrevivem bem à incerteza; que se adaptam facilmente a uma nova realidade; que aceitam o mundo do jeito que ele é: imprevisível. Claro que estas pessoas sofrem menos, são mais felizes e são mais vitoriosas.


O primeiro grupo pode ser chamado de grupo dos frágeis. Já o segundo poderia ser denominado de grupo dos antifrágeis. Este último grupo não só sobrevive melhor, como no final tem a última palavra na vitória. Estão vencendo quando os outros pensam que eles estão perdendo. Estão rindo quando muitos pensam que eles estão chorando. São fortes, quando alguns pensam que eles não têm força. Eles não apenas enfrentam ambientes austeros, como os domesticam e os dominam, conquistando-os e ampliando-os. São fiéis aos seus líderes, quando a grande maioria se viram contra eles quando a menor ameaça as suas posições surgem.


Muitos enxergam apenas o ambiente de uma empresa, de uma cidade, de um setor ou de uma situação; possuem uma visão micro, limitada, repetitiva, não criativa e incapaz de conectar fatos diferentes. Os antifrágeis não: conseguem realmente fazer de um limão uma bela torta, ou aquele aperitivo da preferência nacional, ou mesmo a tão simples limonada. Eles adentram pelo opaco e inexplicável, alcançam o que é invisível para a maioria, ou seja, conquistam até o invisível. Fazem conexões de onde ninguém consegue imaginar suas interligações.


As pessoas que se beneficiam de impactos ruins em suas vidas, se tornam pessoas mais fortes, que prosperam e crescem quando expostas à volatilidade, ao inexplicável, ao surpreendente; se divertem com o risco, gostam de brincar no escuro, amam a aventura da vida. Ficam melhor, mais vivas do que nunca, após passarem pelo improvável. Estão confortáveis com o desconhecido, com o novo e querem compreendê-lo melhor. O mundo está cheio de histórias de vencedores que perderam seus pais precocemente, que sobreviveram a um grande acidente e outras desgraças mais ocorreram em suas vidas. Enfraqueceram? Choraram? Não, utilizam estes fatos a seu favor e ficaram ainda mais fortes, inquebráveis.


Claro que existem outras pessoas que querem parecer antifrágeis, mas agem a custa da fragilidade dos outros. São aqueles que oprimem o irmão, que se utilizam do seu poder para galgar novas posições ou ganhos financeiros. Ameaçam explicitamente ou veladamente. Se revestem de bonzinhos, mas no fundo são maus e egoístas. Temos estes elementos na política, nos bancos e na vida empresarial em geral. Estes são os que agem de cima para baixo, bloqueando o crescimento e se utilizando da inocência, da ignorância, da boa fé e de outros atributos dos frágeis. Estes algumas vezes até vencem, ganham dinheiro, mas não são antifrágeis, pois a antifragilidade verdadeira nunca é ganha à custa das fragilidades dos outros.


Gostaria que estes conceitos fossem meus, mas na verdade são do grande filósofo e estatístico Nassim Nicholas Taleb, autor do best-seller do New York Times, denominado ANTIFRÁGIL. Ele já havia escrito (e me surpreendido positivamente), outro best-seller denominado CISNE NEGRO, onde descreveu sobre a impossibilidade de calcular os riscos de importantes e raros acontecimentos e prever a sua ocorrência. É dele que vem a lógica de um simples bater de asas de uma borboleta poder desencadear um tsunami; de que um simples selo em uma carta pode ter dado a ideia do ataque às torres gêmeas, ou que pequenos e inexplicáveis acontecimentos podem tornar uma pessoa famosa ou destruir a sua vida. Por exemplo, você pode um dia ir a uma festa, beber um pouco e voltar para sua casa tranquilo e estacionar seu carro na garagem, dormindo em paz e continuando a vida no dia seguinte. Porém, se uma pessoa na hora errada entrar na frente do seu carro e você atropela-la, se um policial sério insistir em levar os fatos as últimas consequências, transeuntes que passavam aleatoriamente naquele momento testemunharem contra você, se o médico plantonista negligente cometer um erro e deixar a vítima morrer, um juiz perseguidor dos bêbados te mandar para a prisão: acabou a sua vida. Ou seja, pequenos fatos podem diariamente nos conduzir para uma situação boa ou má – é a aleatoriedade. Assim, uma nova e fantástica descoberta pode vir de um incidente em um laboratório, ou uma doença terrível se espalhar pelo mundo por um pequeno erro de descontrole de testes.


Na área da saúde, está na hora de sermos antifrágeis. De sermos fortes, de lidarmos bem com as coisas antagônicas, de termos coragem de enfrentar o desconhecido. De sermos éticos com as pessoas. De nos divertirmos com os fatos aleatórios. De buscarmos a criatividade através do aprofundamento do improvável, da análise das circunstâncias, da aceitação da realidade. De não nos aproveitarmos das fragilidades dos outros para crescermos, mas sim de conectar fatos aparentemente desconectados para criar um novo mundo.


As organizações de saúde estão precisando de líderes que saibam tirar vantagens de fatos aleatórios, de situações adversas, que saibam sim lidar com o orçamento, mas que sobretudo saiba lidar com um mundo real onde a incerteza é a única verdade que temos.


O vento apaga uma vela ou energiza o fogo e causa um grande incêndio. O mesmo acontece com a aleatoriedade e com a incerteza nossa de cada dia. Queremos ser fogo e vento ao mesmo tempo. Não podemos, mas podemos nos aproveitar das circunstâncias que eles nos proporcionam: podemos ser verdadeiros antifrágeis da área da saúde.


Então sejamos!

Por José Cléber do Nascimento Costa

josecleber@indsh.org.br 

 

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